sábado, 2 de agosto de 2008

Qualidade de Ensino Vs Modelos de Avaliação

Decisão tomada, decisão cumprida.

Foi decidido que a partir deste ano e, de uma forma gradual, todos os subsistemas de ensino moçambicano passarão a adoptar a correcção electrónica dos exames, tendo como pressupostos a adopção de exames cujas perguntas tem múltiplas respostas.

Este sistema é bonito para quem está preparado.
Se não vejamos:

São duas coisas diferentes a saber:

Exames de escolha Múltipla e,
Correcção electrónica.

Os exames de escolha múltipla pode ter correcção Manual e electrónica. A correcção Manual é usada em muitos subsistemas de ensino e aprendizagem em quase todo o mundo, e surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos da América. Em Moçambique, este sistema é adoptado com sucesso nas escolas de condução e já passam 15 anos.

QUuanto ao sistema de correcção electrónica para o mesmo tipo de testes, apenas sublinhar que os americanos já adoptaram o sistema e isso visa dispensar o professor no pauramento de resultados.

O estudante/ examinando é o próprio que introduz as suas opções de respostas no computador. Ele acede ao teste através de opções múltiplas e na hora pode ver a resposta certa depois da escolha da sua opção. Depois de responder a todos os testes, o estudante grava e vai embora.
A partir desse momento, o supervisor pode apurar o resultado de todos os estudantes que se fizeram aos testes.
Com o desenvolvimento da Améria(E.U.A.), não é para duvidar que cada estudante dispõe dum LAPTOP (Computador) na sala de exame, pois trata-se de ensino programado.

Agora sabendo da nossa situação em relação à velocidade de apetrechamento das nossas escolas com equipamento informático, é caso para perguntar, o que nos leva a correr para a correcção electrónica?
Embora esteja nos segredos de Deus, ao experimentarmos este sistema sem equipamento informatico sificiente, estamos a dizer que depois do exame, recorreremos a digitalizadores eventuais que não sejam funcionários da escola e muito menos examonandos, para se posicionarem no lugar de alunos e procederem ao lançamento das opções de cada estudante prova a prova. Muita carga administrativa que até não é isenta de erros, pois na digitalização tudo é possível.
Será que não dava para esperar um pouco mais para consolidarmos a informatização das nossas escolas em todo o país?
Não estaremos a precipitar todo um processo de ensino e aprendizagem?

Mais,

com a introdução deste sistema, foi dito que já não haverá dispensados do exame, porquê?será que o esforço dos estudantes foi igual para todos? Como serão estimulados os estudantes mais esforçados ao longo do ano/Ciclo?
Nada foi dito em relação ao conselho de notas. Será que ainda haverá conselho de notas em exames que foram corrigidos electronicamente sem envolvimento dos professores?
Estamos a caminhar para onde?
E durante a correcção electrónica, onde está o professor da prática escolar? ou melhor, quando é que termina o papel do professor da prática escolar? E será que ele sabe? foi preparado psicologicamente para assumir esta posição? É que o computador pode corrigir mas não pode trasnmitir conhecimento sozinho. O professor é indispensável para o proceddo de ensino e aprendizagem, mesmo no ensino à distância, há tutores.

O quê que eu penso que devia ser feito!
1. Equipar todas as escolas com equipamento informático suficiente para garantir que cada aluno responda sozinho às questões colocadas;
2. Orientar os professores para que as ao longo do ano, deem um nº de avaliações usando obrigatoriamente testes de resposta múltiplas;
3. Informatizar as notas parciais ao longo do ano de modo que a média final a ser apurado no sistema electrónico tome em conta o aproveitamento do Ciclo já informatizado;
6. Treinar os professores para utilização do sistema informático do carregamento das notas parciais;
7. Criar centros regionais de Avaliação e Certificação que se responsabilizarão na supervisão das notas carregadas quer no exame, quer nas avaliações intermédias bem como na emissão de cerificados informaticamente;
8. Criar e treinar supervisores locais para Avaliação e Certificação;
9. Criar Gabinetes Nacionais de controle de qualidade dos Centros Regionais;
10. Conceber o modelo único de cerificado (Papel), diferenciado por níveis pela cor de papel e seu conteúdo, que deverá ter uma espécie de Holograma, a ser impresso nos centros regionais de Avaliação e Certificação, com o conhecimento do Ministério de Educação.
O Ministério de Educação nunca deve see meter na carga administrativa de emitir certificados para as escolas, deve sim, se ocupar em estratégias do sector.

Em resumo:

A ideia é boa mas não pode ser de forma isolada, há que consolidar outro cenários;
Evitar marginalizar o actor principal do processo de ensino e aprendizagem, pois ele é o fazedor do conhecimento alvo da avaliação;
A percepção que tenho com relação a velocidade de introdução deste sistema é de que o Ministério da Educação está preocupado mais com a Fraude académica que normalmente acontece nos processos de exame e emissão de certificados, certo, mas não está muito preocupada com o impacto do mesmo na consolidação de todo um processo construído de Fevereiro a Novembro.

Recomendação:

Ainda é cedo, vamos experimentar este ano e corrigir tudo o que deturpa o processo e, se necessário, tenhamos coragem de recuar. Afinal correr não é chegar, diz um velho adágio popular.