sexta-feira, 21 de março de 2008

Valorizemos o Metical, a nossa moeda


Atente às Citações:

“Assinaturas mensais: Ordinária: USD20 – Institucional:USD35 – Embaixadas e ONG Estrangeiras:USD50 - Um Jornal Moçambicano distribuído Por Fax ou e-mail

“Quartos Simples: USD30; Quartos Duplos: USD40” – Uma Unidade Hoteleira Moçambicana

“O Governo Já disponibilizou cerca de 1,9 Milhões de Dollares Americanos para o arranque da actualização do Recenceamento de um total de 14 Milhões de Dollares necessários” – Um dos nossos jornais matutinos.

“O Banco Mundial vai financiar o consórcio em 120 Milhões USD”.... Notícia difundida num dos principais canais de rádio.

“São USD 7.000 convertíveis em MZM ao Câmbio do Dia....” Cotação Fornecida por uma empresa Nacional a outra empresa Nacional, ambas com registo na CRC de Maputo;

“Churrasco animado por Chidiminguane, Hombamo, Jeremias Nguenha, Resiana Jaime e os Cossas. Haverá Comes e Bebes. Não Falta. Entradas USD 50/Pessoa (adultos), USD 15 Crianças”....................Um espectáculo da Praça.

“Propina de Inscrição: USD120, mensalidade: USD 65 por disciplina” ....... Propinas num estabelecimento de ensino superior em Moçambique.


Vamos reflectir todos nos seguintes aspectos:

Aonde é que estamos?
Compete a quem estancar isto?
Quem ganha com isto?
Como sair disto?
Onde está a ordem dos Economistas?
Onde está a Associação de Defesa do Consumidor?
Como “desdolarizar” o País?
Onde está a dignidade do Metical?
Onde é que deve vincar o orgulho de Moçambicanidade?

A notícia, panfletos, vídeos consomem-se no sentido lato da palavra, logo, é importante defender o consumidor sobre a forma como ela aparece.

Elas mostram que o moçambicano, no seu próprio território, deve andar sempre com uma calculadora e conhecer bem o câmbio do dia, para converter todos os montantes referenciados nos média, em Dollares Americanos (USD). Isso para poder perceber bem o valor real e o impacto da notícia contida no jornal ou outro meio de comunicação social.


O GABINFO, entidade que regista e superintende os média, devia regulamentar a obrigatoriedade de estabelecer equivalência de moeda, sempre que se trate de valores referenciados em outras moedas, devendo tomar-se como base, o grande Metical .

Por exemplo, se um doador vai injectar algumas dezenas de dollares americanos ao país, para uma certa finalidade, a notícia que deve ser consumida pelo público deve ser de tipo:

“Cerca de xxxx biliões de MZM ( USD yyy) é quanto o doador xxx vai desembolsar para ....”. Refira-se que 1USD = xxxMZM).

Deve haver obrigatoriedade de informar na nossa moeda. Isso é bom porque as crianças crescem a saber falar de nºs na óptica moçambicana.

Se pretendermos saber de muitos moçambicanos com instrução média, que valor representa, por extenso 1.000.000.000,00MT, teremos várias respostas diferentes. Significa isso que não temos a visão real dos valores que estamos sendo doados e logo, não teremos capacidade de aplicação e muito menos de controlar e começamos a falar de desvio de fundos e/ou corrupção, enquanto que nós é que não conseguimos interpretar os nºs doados para o Metical.

Isso é não devia ser assim.

Por outro lado, espanta-me o facto de insistirmos em falar de nºs em USD enquanto que na prática a maior parte das transacções moçambicanas é feita em ZAR – Rand, o que quer dizer que na pior das hipótese a informação devia vir traduzida também ou apenas para o Rand.


Há notícias segundo as quais, nalgumas zonas fronteiriças as populações não usam o Metical ou porque não chega, ou porque não tem valor de uso.

A questão que se coloca é:

Houve essa constatação e repotagem, mas depois, qual é o passo seguinte e quem vai dar? A polícia? O Banco de Moçambique?... Quem e quando?

Patrícios, vamos debater o problema da valorização do Metical e a necessidade de “desdolarizar” o País, propondo soluções concretas baseadas em experiência dos outros países amigos ou não, que tenham passado por isto.

Integração Regional na SADC - Mudar atitudes


Rumo à integração Económica Regional
Parte dos passos que imagino que devem ser dados

Mudar atitude em vários aspectos.

O comércio informal e a forma/local de colocação de produtos para a venda

Infelizmente não há relatos de um braço de ferro entre as autoridades sanitárias, a DECOM ou mesmo a Edilidade e grupos populacionais, tendo como ponto central, a proibição de venda de produtos em condições que atentam a saúde pública. Os relatos que temos estado a acompanhar estão relacionados com a ilegalidade da ocupação de passeios para o comércio informal em geral.

Estou a falar da colocação de produtos de consumo imediato ou a posterior no ar livre, prática essa que é mais gritante nos chungamoios, nas barracas, terminais e paragens de transportes interurbanos e vias públicas.
Nestes locais é normal encontrar pessoas a vender refeições, pão em caixas descobertos, pasteis africanos entre outros produtos, sem protecção mínima, digamos, ao ar livre.

Regra geral, este grupo de vendedores não possui cartão de saúde, o que importa é vender. Facto curioso é que tem sempre clientela em dia, aquele grupo que se preocupa simplesmente em “matar a fome” para se manter em pé.

Com a integração, temos que nos preparar melhor para a colocação de tudo quanto pretendemos vender, pois é a nossa imagem que está em causa. Não queremos ser conotados como os péssimos em matérias de higiene e protecção do consumidor. Temos que mudar a nossa atitude para com o nosso pequeno negócio para manter o nosso bom nome nesta região.

Haverá espaço para todos fazerem os pequenos negócios, mas pensemos no consumidor independentemente de ser nacional ou não.

Com a integração os moçambicanos vão entrar nos países da região para desenvolverem os seus pequenos negócios, mas assim como temos feito não vamos conseguir vender nada.

O que pode acontecer é, os informais de outros países integrados entrarem no nosso país com boas maneiras de colocação de produtos e tomarem conta dos pequenos negócios em detrimento dos nacionais.

A Suazilândia por exemplo tem uma experiência muito interessante em relação à forma como os produtos devem ser colocados ao consumidor, criando condições mínimas para a protecção de produtos à venda dentro de plásticos, desde maçaroca até à batata doce, passando por pão e broa.

É muito difícil ver uma única mosca a pousar nos produtos à venda na via pública ou noutro sector do comércio informal e as autoridades travaram guerra para conseguir esta postura.

No Comércio Formal, ramo da Indústria e Comércio

Há que disciplinar a forma como os produtos são colocados não só na prateleira, como também na conservação.
Por exemplo,
Os copos para servir bebidas é sempre aconselhável que se mantenham gelados para permitir que no momento de servir a bebida ao cliente, a troca de temperaturas entre o copo e a bebida não tenha um impacto maior no produto a consumir (coisas da termodinâmica).

É importante diferenciar copos em função do tipo de bebida que vamos servir ao nosso cliente, de tal sorte que, o copo de cerveja não pode ser usado para servir vinho e/ou refresco, muito menos wisk e vice-versa.

Devemos caminhar para reciclar os produtos em conservação nos meios de refrigeração por natureza. Onde guardamos mariscos /Carnes não deve ficar refrigerantes e muito menos comida confeccionada carne. Comida do dia anterior não deve ser conservado em meios de refrigeração para servir nos dias subsequentes.

Uma casa de pastos deve ter condições mínimas de saneamento para se manter aberta, estamos a falar de casa de banho com água, luz, espelho, papel higiénico e sabonete ou equiparado.
A falta de um destes componentes pode dar direito à multa. Regra geral, parte dos proprietários destas casas não são rigorosos para verificação destas condições, chegando mesmo a deixar as casas de banho sem água e papel higiénico, mas com as salas de refeição repletas de gente. É uma questão de atitude para com o outro, seu cliente. Ninguém vai querer visitar as nossas casas nas condições descritas anteriormente, há que apostar na mudança.

Esta prática deve ser rigorosamente observada pelos agentes de comércio e, mesmo sabido que não existe capacidade de fiscalização, tem que ser sim, uma questão de atitude

Outras atitudes que devem ser melhoradas,

A polícia de trânsito e outros agentes de segurança rodoviária devem caminhar para inverter o cenário na opção para interpelar viaturas, tendo como alvo preferencial, aquelas que ostentam matrícula estrangeira.

Com a integração viaturas moçambicanas vão desdobrar-se em estradas dos países da região e o mesmo vai acontecer cá entre nós. Fiscalizar é bom, mas quando de 2 em 2 kms se é fiscalizado, então acaba sendo transtornaste.

Há que estar atentos às transgressões do código de estrada, como por exemplo, pisar linha contínua, excesso de velocidade, pisar passadeiras de peões nos cruzamentos com sinalização luminosa entre outras.


Por último,
Cada negociante quando passar de um país integrado, deve se preocupar em colher mais uma experiência a ser implementada cá entre nós, na sua área de negócio.

Temos que tornar o país competitivo, atractivo e, se possível, cartão de visitas de toda a SADC em termos de atitude correcta nos pequenos negócios.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O Saber pedir desculpas!

Vem isto a propósito da recente tragédia havida em Maputo, o luto que os artefactos (como são chamados os monstros mortíferos que semeiaram luto em muitas famílias).
Ninguém duvida da solidadriedade que os moçambicanos prestaram às vítimas, dentro daquilo que são as suas capacidades e responsabilidades na sociedade moçambicana. O próprio Governo, pela 1ª vez demostrou de forma ímpar, muita sensibilidade para com o sofrimento da pessoa humana, tendo chegado ao ponto de criar um gabinete específico para reconstrução das casas das vítimas, embora muitos são de opinião de que, no lugar de apoiar as vítimas nos moldes propostos, devia indemnizar as famílias afectadas. Pessoalmente acho que como 1º passo, a atutude do governo é boa, pode ser que um dia caminhemos para atingirmos uma cultura de estado que indemniza as pessoas singulares e/ou colectivas, sempre que houver culpa do estado num processo desta natureza ou semelhante.

Andei traumatizado por muito tempo ao não conseguir encaixar no meu eu, uma interpretação lógica do que teria originado efectivamente as explosões.
Cheguei mesmo a pensar que a paz que nos orgulhamos tanto de ter alcançado era aparente uma vez que as armas calaram sim, os homens já não se perceguém com elas, mas afinal de contas elas ainda representam um grande perigo para as nossas vidas.

O que devia ter siso explicado

Ninguem explicou a ninguém, se estas armas calam sozinhas ou alguém lhes faz calar (duvido);
Ninguem explicou a ninguém, se estas armas daqui há quanto tempo podem voltar a fazer das suas, se bem que continuam no mesmo lugar e aparentemente nas mesmas condições;
Ninguem explicou a ninguém o quê que representa em termos percentuais no mínimo, o quê que representam os artefactos “que se evadiram do seu habitat”, dito de outra forma, o quê que representa o arsenal remanescente dos artefactos em relação aos que já explodiram?
Ninguem explicou a ninguém, para quando está prevista a transferência dos payols das das zonas habitacionais.
Em suma,
Ninguém explica a ninguém, o simples conceito de Payol bem como de artefacto;
Que tipos de Payol existem, sua finalidade, localização, tipo de artefactos, que é para a gente ficar com a dimensão real dos factos.

Mas tudo isto vem a propósto da falta de pedido de desculpas formais às famílias afectadas em particular e ao povo moçambicano em geral.
Andei atento a este drama, mas em nenhum momento me lembro ter acompanhado quem quer que fosse, a pedir desculpas formalmente em seu nome ou em nome da entidade que representa aos que directa ou indirectamente sofreram os efeitos das explosões.

Muitos queriam a cabeça do Ministro por achar que ele era o principal culpado de tudo quanto aconteceu, pois não é novo no Governo, o que significa que a ter que haver uma solução do Payol, outro homem forte daquele pelouro tinha que ser encontrado, mas se calhar ele é inocente pela complexidade histórica do próprio Payol, então, o mínimo que o Ministro devia ter feito, era pedir desculpas formalmente ao povo moçambicano em geral e às vítimas em particular.

Desculpar-se é o maior gesto que existe na humanidade para diminuir o ódio entre os homens e, qualquer um deve-o fazer sempre que as circunstâncias assim o obrigam.

Um pedido de desculpas deve ser feito no momento próprio, nunca deixar desgastar a imagem para depois, por coação o fazer.

Desculpar-se deve ser um acto voluntário, espontáneo e, sobretudo, do fundo do coração.

Mesmo o PR, em condições normais aquando da 1ª aparição pública depois da tragédia, deveria ter pedido desculpas antes de mais nada e, se possível, voltar a reeterar assim que recebeu o relatório da comissão de inquérito.

Não restam dúvidas de que o Presidente ficou comovido com a tragédia, chegando mesmo a ponto de cancelar a sua visita de estado à RSA, visita essa que até hoje não se efectivou.

Desculpem-me por este articulado, temos que tentar esquecer as mágoas, se calhar não devia ter escrito esta peça...imensas desculpas.