quinta-feira, 20 de março de 2008

O Saber pedir desculpas!

Vem isto a propósito da recente tragédia havida em Maputo, o luto que os artefactos (como são chamados os monstros mortíferos que semeiaram luto em muitas famílias).
Ninguém duvida da solidadriedade que os moçambicanos prestaram às vítimas, dentro daquilo que são as suas capacidades e responsabilidades na sociedade moçambicana. O próprio Governo, pela 1ª vez demostrou de forma ímpar, muita sensibilidade para com o sofrimento da pessoa humana, tendo chegado ao ponto de criar um gabinete específico para reconstrução das casas das vítimas, embora muitos são de opinião de que, no lugar de apoiar as vítimas nos moldes propostos, devia indemnizar as famílias afectadas. Pessoalmente acho que como 1º passo, a atutude do governo é boa, pode ser que um dia caminhemos para atingirmos uma cultura de estado que indemniza as pessoas singulares e/ou colectivas, sempre que houver culpa do estado num processo desta natureza ou semelhante.

Andei traumatizado por muito tempo ao não conseguir encaixar no meu eu, uma interpretação lógica do que teria originado efectivamente as explosões.
Cheguei mesmo a pensar que a paz que nos orgulhamos tanto de ter alcançado era aparente uma vez que as armas calaram sim, os homens já não se perceguém com elas, mas afinal de contas elas ainda representam um grande perigo para as nossas vidas.

O que devia ter siso explicado

Ninguem explicou a ninguém, se estas armas calam sozinhas ou alguém lhes faz calar (duvido);
Ninguem explicou a ninguém, se estas armas daqui há quanto tempo podem voltar a fazer das suas, se bem que continuam no mesmo lugar e aparentemente nas mesmas condições;
Ninguem explicou a ninguém o quê que representa em termos percentuais no mínimo, o quê que representam os artefactos “que se evadiram do seu habitat”, dito de outra forma, o quê que representa o arsenal remanescente dos artefactos em relação aos que já explodiram?
Ninguem explicou a ninguém, para quando está prevista a transferência dos payols das das zonas habitacionais.
Em suma,
Ninguém explica a ninguém, o simples conceito de Payol bem como de artefacto;
Que tipos de Payol existem, sua finalidade, localização, tipo de artefactos, que é para a gente ficar com a dimensão real dos factos.

Mas tudo isto vem a propósto da falta de pedido de desculpas formais às famílias afectadas em particular e ao povo moçambicano em geral.
Andei atento a este drama, mas em nenhum momento me lembro ter acompanhado quem quer que fosse, a pedir desculpas formalmente em seu nome ou em nome da entidade que representa aos que directa ou indirectamente sofreram os efeitos das explosões.

Muitos queriam a cabeça do Ministro por achar que ele era o principal culpado de tudo quanto aconteceu, pois não é novo no Governo, o que significa que a ter que haver uma solução do Payol, outro homem forte daquele pelouro tinha que ser encontrado, mas se calhar ele é inocente pela complexidade histórica do próprio Payol, então, o mínimo que o Ministro devia ter feito, era pedir desculpas formalmente ao povo moçambicano em geral e às vítimas em particular.

Desculpar-se é o maior gesto que existe na humanidade para diminuir o ódio entre os homens e, qualquer um deve-o fazer sempre que as circunstâncias assim o obrigam.

Um pedido de desculpas deve ser feito no momento próprio, nunca deixar desgastar a imagem para depois, por coação o fazer.

Desculpar-se deve ser um acto voluntário, espontáneo e, sobretudo, do fundo do coração.

Mesmo o PR, em condições normais aquando da 1ª aparição pública depois da tragédia, deveria ter pedido desculpas antes de mais nada e, se possível, voltar a reeterar assim que recebeu o relatório da comissão de inquérito.

Não restam dúvidas de que o Presidente ficou comovido com a tragédia, chegando mesmo a ponto de cancelar a sua visita de estado à RSA, visita essa que até hoje não se efectivou.

Desculpem-me por este articulado, temos que tentar esquecer as mágoas, se calhar não devia ter escrito esta peça...imensas desculpas.

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