terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eleições Autárquicas 2008 já mexem

Eleições Autárquicas 2008 – Barulho e desconforto na eleição Interna de Candidatos
Um mal que se pode eliminar com a emenda da legislação no futuro!


O barulho que tem caracterizado as estratégias políticas para consolidação da gestão dos principais municípios do país, faz parte do jogo político e não democracia como tal. Política e democracia são duas coisas diferentes, só que uma coisa pode ser encontrada na outra. A política pode ser feita com ou sem democracia e não são poucas as vezes que a democracia é usada para acomodar outros jogos. É assim em todo o mundo.

Vem isto a propósito das estratégias verificadas para encontrar os sucessores dos actuais edis dos Municípios do país, com destaque para Maputo e Beira.

O 1º grande golpe psicológico aconteceu em Maputo num grande desafio que colocava frente a frente um membro do Governante e um Edil em exercício. Quando tudo indicava a olho nu que o actual edil seria o inquestionável sucessor de si próprio eis que nos bastidores começam a chegar vozes de uma equação visando o lançamento de um candidato que iria concorrer o actual edil a candidato da presidência do Município. Não é menos verdade que nem o novo candidato, nem o actual edil e muito menos o munícipe em geral admitia essa possibilidade, parecia uma notícia típica de 1 de Abril. Outrossim admitiam que se tratava de uma demonstração da lição de democracia interna, mas que depois ia se direccionar o voto. Enganaram-se os que assim pensaram, pois o assunto era mais sério do que se imaginava, o próprio Edil em exercício até fez questão de tardar a formalização da candidatura para as internas, mas acabou fazendo depois de verificar que o assunto tinha outros contornos? E foi o que se viu, o voto ditou o seu afastamento – Justificação: cumpriu-se a vontade das bases, nada se podia fazer.

Estava-se na ressaca dos acontecimentos em Maputo, as pessoas a tentarem solidarizar-se com o edil em exercício, quando da Beira, nos chegam informações segundo as quais o carismático Edil em exercício fora preterido em detrimento do Manuel Pereira. A notícia criou um susto equiparável a dos ataques de 11 de Setembro às torres gémeas de N.Y. Esta atitude da liderança do partido foi igualmente justificada como sendo a vontade das bases.

O mais curioso nisto tudo é que as bases das principais forças políticas do país parece terem combinado para desfazer a aparente hegemonia dos edis em exercício nas duas actuais autarquias, apesar dos feitos inquestionáveis.

A verdade é que, a reacção dos cidadãos na Beira foi mais espontânea e forte que acabou transmitindo outras energias que poderão ter precipitado o fim da carreira política de um jovem tecnocrata, daqueles que o país precisa pela sua abordagem ao trabalho e respeito da coisa pública e do próximo.

Refira-se que a confusão na Beira abafou a possível polémica em Maputo e passou-se a viver Beira e Devis Simango, enquanto que em Maputo pouco se falava do Eneas Comiche.

Como muito já se disse em volta da polémica nas duas cidades, com ênfase para a Beira, se calhar é melhor fazer outro tipo de análise às principais motivações/causas e consequências.

Das características das duas Cidades
Algumas semelhanças
i. Maputo é uma cidade habitada maioritariamente por não nativos, permitam-me usar o termo forasteiros a pessoas idas de outros pontos do país;
ii. Cidade da Beira é habitada maioritariamente por nativos da Beira, que se identificam com a Beira como cidade que lhes viu a nascer.

Algumas características dos dois candidatos preteridos;
Eneas Comiche nasceu e creceu em Lourenço Marques, formou-se na europa onde “bebeu” novos hábitos urbanísticos. O seu sonho é devolver Maputo à beleza natural que sempre caracterizou esta cidade desde os tempos de Lourenço Marques.
Devis Simango é Beirense, nasceu e/ou creceu na luta armada de Libertação Nacional, fora da Beira. Formou-se em Moçambique e Identifica-se muito com a causa da Beira.
Ambos são tecnocratas por excelência, mas o facto de Eneas ser mais experiente em Gestão, mais velho e, acima de tudo pertencer a um partido com forte hierarquização e que sempre lhe deu o colo terá pesado para que ele não se precipitasse para outras aventuras tal como o fez o Devis. Este que foi convidado para fazer face a uma eleição mercê da coligação União Eleitoral.

Algumas características dos dois partidos que suportaram as candidaturas dos actuais edis.
A Frelimo é um partido que nos lembra sempre a história de libertação Nacional. Possui muitos militantes a todos os níveis e tem uma estrutura coesa e disciplina de comunicação do topo à base. Pode criar um modelo ideal no momento a partir do Topo e, usar sua experiência para influenciar as bases para fazer eco do modelo, como se fosse sua visão de raiz. A hierarquização dos assuntos é uma grande estratégia que sempre o caracterizou. Não existe dito por não dito.

A Renamo uma organização que se converteu bem de movimento Militar para Partido Político. Possui uma estrutura própria para fazer oposição, mas precisa de consolidar a sua estrutura orgânica bem como a adopção de novas estratégias para comunicação interna. Usa muito o dito por não dito, o que não transmite muita confiança as seus partidários e ao público em geral, pois nunca se sabe se o que se diz hoje não será desmentido amanhã. Tem estado bem na arena política Nacional, mas se não melhorar estes pequenos detalhes que vincam com a imagem da organização como tal, pode-se reduzir a nada como aconteceu com a UNITA nas recentes eleições, o que não seria muito bom para a democracia de que Moçambique continua um modelo a seguir.

Barulho que pode ser evitado no futuro.

A situação criada com estas substituições aparentemente contestadas me levam a crer que um dia o país precisará de rever a legislação eleitoral, com destaque para as eleições autárquicas, devendo reflectir seriamente na adoptação mandatos limitados, numa perspectiva de um só mandato válido por 4/5 anos, sem renovação. Este modelo já é/foi aplicado em países como Brasil (se a memória não me trai), que salvaguarda a presidência rotativa, independentemente do desempenho, aliás, bom desempenho é tudo o que se espera de um “Prefeito” na “Prefeituria”.

Portanto o lema deste modelo é:
Entrou, governou um mandato e saiu:
Vantagens: Dar chance a outra gente para governar.

Imaginemo-nos com uma legislação destas cá entre nós, ela por si teria evitado tanto barulho em volta das sucessões.
Ninguém estaria magoado e ninguém teria ousadia de se candidatar à sua sucessão como independente, pois a lei não deixa.
Os acontecimentos deste ano fazem crer que no futuro vai valer tudo para arrancar candidaturas internas que poderão se traduzir até em mortes certas.

Por último, alguns recados para os compatriotas:

Pessoas competentes existem em todo o lado, o que lhes falta é oportunidade para mostrarem tal competência, nos processos de trabalho não há insubstituíveis, o trabalho em equipa é que é mais fundamental acima de tudo.
Moral da história
Não é preciso chorar eternamente pelos edis substituídos. Vão fazer outras coisas úteis à sociedade. Esperemos para ver o desempenho dos que foram confiados a missão, se ganharem claro.
No lugar de instigar candidaturas independentes como forma de reconhecer o trabalho realizado por um determinado edil, devíamos consolar para que saia de cabeça erguida pois o trabalho feito é inquestionável.
Na vida há que estar preparado para aceitar um convite para representar interesses de uma organização, mas da mesma forma temos que estar preparados para aceitar a retirada. Este recado é para os apoiantes da candidatura independente do Devis que podem ter hipotecado a sua carreira política, mesmo que ganhe estas eleições.

Porque não abrir outra página dos nossos quês neste processo, como por exemplo, a forma como os deputados são propostos em termos de:

Þ Quem deve ser um deputado Municipal;
Þ Que requisitos são necessários para se ser um Deputado Municipal;
Þ Quantos mandatos pode ter um deputado Municipal
Þ Quantos mandatos pode ter um edil(alguns candidatos já vão ao 3º mandato, como?);
Þ Um candidato independente tem alguma chance de ser deputado?

Há que esclarecer também, o impacto da decisão do afastamento do Devis da Renamo nos seguintes termos:
ü Que futuro político espera por Devis em caso de:
§ Derrota, na qualidade de independente;
§ Vitória, na qualidade de independente;
ü Com a sua expulsão do Partido a meio do Mandato, pode-se dizer que de domingo até Novembro o Município da Beira passa a ser governado por um independente?
ü Poderá ou não Devis, usar de momento os símbolos do Partido Renamo? Julgo que mesmo no seu Gabinete de trabalho ostenta a Bandeira da Renamo e se calhar a Foto do seu Presidente que é um símbolo.
ü A expulsão de Devis do partido não abre espaço para convidar o Devis para abandonar a presidência do Município por se ter perdido a confiança no partido à semelhança do que aconteceu com o ANC/Mbeki? O que diz a legislação sobre isto?
ü Quem pode ilegítimar a expulsão do Devis já que diz-se por aí que a mesma não é legal por ter sido feita por um órgão não competente?

Outros assuntos relevantes.

Mais não disse!

sábado, 2 de agosto de 2008

Qualidade de Ensino Vs Modelos de Avaliação

Decisão tomada, decisão cumprida.

Foi decidido que a partir deste ano e, de uma forma gradual, todos os subsistemas de ensino moçambicano passarão a adoptar a correcção electrónica dos exames, tendo como pressupostos a adopção de exames cujas perguntas tem múltiplas respostas.

Este sistema é bonito para quem está preparado.
Se não vejamos:

São duas coisas diferentes a saber:

Exames de escolha Múltipla e,
Correcção electrónica.

Os exames de escolha múltipla pode ter correcção Manual e electrónica. A correcção Manual é usada em muitos subsistemas de ensino e aprendizagem em quase todo o mundo, e surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos da América. Em Moçambique, este sistema é adoptado com sucesso nas escolas de condução e já passam 15 anos.

QUuanto ao sistema de correcção electrónica para o mesmo tipo de testes, apenas sublinhar que os americanos já adoptaram o sistema e isso visa dispensar o professor no pauramento de resultados.

O estudante/ examinando é o próprio que introduz as suas opções de respostas no computador. Ele acede ao teste através de opções múltiplas e na hora pode ver a resposta certa depois da escolha da sua opção. Depois de responder a todos os testes, o estudante grava e vai embora.
A partir desse momento, o supervisor pode apurar o resultado de todos os estudantes que se fizeram aos testes.
Com o desenvolvimento da Améria(E.U.A.), não é para duvidar que cada estudante dispõe dum LAPTOP (Computador) na sala de exame, pois trata-se de ensino programado.

Agora sabendo da nossa situação em relação à velocidade de apetrechamento das nossas escolas com equipamento informático, é caso para perguntar, o que nos leva a correr para a correcção electrónica?
Embora esteja nos segredos de Deus, ao experimentarmos este sistema sem equipamento informatico sificiente, estamos a dizer que depois do exame, recorreremos a digitalizadores eventuais que não sejam funcionários da escola e muito menos examonandos, para se posicionarem no lugar de alunos e procederem ao lançamento das opções de cada estudante prova a prova. Muita carga administrativa que até não é isenta de erros, pois na digitalização tudo é possível.
Será que não dava para esperar um pouco mais para consolidarmos a informatização das nossas escolas em todo o país?
Não estaremos a precipitar todo um processo de ensino e aprendizagem?

Mais,

com a introdução deste sistema, foi dito que já não haverá dispensados do exame, porquê?será que o esforço dos estudantes foi igual para todos? Como serão estimulados os estudantes mais esforçados ao longo do ano/Ciclo?
Nada foi dito em relação ao conselho de notas. Será que ainda haverá conselho de notas em exames que foram corrigidos electronicamente sem envolvimento dos professores?
Estamos a caminhar para onde?
E durante a correcção electrónica, onde está o professor da prática escolar? ou melhor, quando é que termina o papel do professor da prática escolar? E será que ele sabe? foi preparado psicologicamente para assumir esta posição? É que o computador pode corrigir mas não pode trasnmitir conhecimento sozinho. O professor é indispensável para o proceddo de ensino e aprendizagem, mesmo no ensino à distância, há tutores.

O quê que eu penso que devia ser feito!
1. Equipar todas as escolas com equipamento informático suficiente para garantir que cada aluno responda sozinho às questões colocadas;
2. Orientar os professores para que as ao longo do ano, deem um nº de avaliações usando obrigatoriamente testes de resposta múltiplas;
3. Informatizar as notas parciais ao longo do ano de modo que a média final a ser apurado no sistema electrónico tome em conta o aproveitamento do Ciclo já informatizado;
6. Treinar os professores para utilização do sistema informático do carregamento das notas parciais;
7. Criar centros regionais de Avaliação e Certificação que se responsabilizarão na supervisão das notas carregadas quer no exame, quer nas avaliações intermédias bem como na emissão de cerificados informaticamente;
8. Criar e treinar supervisores locais para Avaliação e Certificação;
9. Criar Gabinetes Nacionais de controle de qualidade dos Centros Regionais;
10. Conceber o modelo único de cerificado (Papel), diferenciado por níveis pela cor de papel e seu conteúdo, que deverá ter uma espécie de Holograma, a ser impresso nos centros regionais de Avaliação e Certificação, com o conhecimento do Ministério de Educação.
O Ministério de Educação nunca deve see meter na carga administrativa de emitir certificados para as escolas, deve sim, se ocupar em estratégias do sector.

Em resumo:

A ideia é boa mas não pode ser de forma isolada, há que consolidar outro cenários;
Evitar marginalizar o actor principal do processo de ensino e aprendizagem, pois ele é o fazedor do conhecimento alvo da avaliação;
A percepção que tenho com relação a velocidade de introdução deste sistema é de que o Ministério da Educação está preocupado mais com a Fraude académica que normalmente acontece nos processos de exame e emissão de certificados, certo, mas não está muito preocupada com o impacto do mesmo na consolidação de todo um processo construído de Fevereiro a Novembro.

Recomendação:

Ainda é cedo, vamos experimentar este ano e corrigir tudo o que deturpa o processo e, se necessário, tenhamos coragem de recuar. Afinal correr não é chegar, diz um velho adágio popular.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Valorizemos o Metical, a nossa moeda


Atente às Citações:

“Assinaturas mensais: Ordinária: USD20 – Institucional:USD35 – Embaixadas e ONG Estrangeiras:USD50 - Um Jornal Moçambicano distribuído Por Fax ou e-mail

“Quartos Simples: USD30; Quartos Duplos: USD40” – Uma Unidade Hoteleira Moçambicana

“O Governo Já disponibilizou cerca de 1,9 Milhões de Dollares Americanos para o arranque da actualização do Recenceamento de um total de 14 Milhões de Dollares necessários” – Um dos nossos jornais matutinos.

“O Banco Mundial vai financiar o consórcio em 120 Milhões USD”.... Notícia difundida num dos principais canais de rádio.

“São USD 7.000 convertíveis em MZM ao Câmbio do Dia....” Cotação Fornecida por uma empresa Nacional a outra empresa Nacional, ambas com registo na CRC de Maputo;

“Churrasco animado por Chidiminguane, Hombamo, Jeremias Nguenha, Resiana Jaime e os Cossas. Haverá Comes e Bebes. Não Falta. Entradas USD 50/Pessoa (adultos), USD 15 Crianças”....................Um espectáculo da Praça.

“Propina de Inscrição: USD120, mensalidade: USD 65 por disciplina” ....... Propinas num estabelecimento de ensino superior em Moçambique.


Vamos reflectir todos nos seguintes aspectos:

Aonde é que estamos?
Compete a quem estancar isto?
Quem ganha com isto?
Como sair disto?
Onde está a ordem dos Economistas?
Onde está a Associação de Defesa do Consumidor?
Como “desdolarizar” o País?
Onde está a dignidade do Metical?
Onde é que deve vincar o orgulho de Moçambicanidade?

A notícia, panfletos, vídeos consomem-se no sentido lato da palavra, logo, é importante defender o consumidor sobre a forma como ela aparece.

Elas mostram que o moçambicano, no seu próprio território, deve andar sempre com uma calculadora e conhecer bem o câmbio do dia, para converter todos os montantes referenciados nos média, em Dollares Americanos (USD). Isso para poder perceber bem o valor real e o impacto da notícia contida no jornal ou outro meio de comunicação social.


O GABINFO, entidade que regista e superintende os média, devia regulamentar a obrigatoriedade de estabelecer equivalência de moeda, sempre que se trate de valores referenciados em outras moedas, devendo tomar-se como base, o grande Metical .

Por exemplo, se um doador vai injectar algumas dezenas de dollares americanos ao país, para uma certa finalidade, a notícia que deve ser consumida pelo público deve ser de tipo:

“Cerca de xxxx biliões de MZM ( USD yyy) é quanto o doador xxx vai desembolsar para ....”. Refira-se que 1USD = xxxMZM).

Deve haver obrigatoriedade de informar na nossa moeda. Isso é bom porque as crianças crescem a saber falar de nºs na óptica moçambicana.

Se pretendermos saber de muitos moçambicanos com instrução média, que valor representa, por extenso 1.000.000.000,00MT, teremos várias respostas diferentes. Significa isso que não temos a visão real dos valores que estamos sendo doados e logo, não teremos capacidade de aplicação e muito menos de controlar e começamos a falar de desvio de fundos e/ou corrupção, enquanto que nós é que não conseguimos interpretar os nºs doados para o Metical.

Isso é não devia ser assim.

Por outro lado, espanta-me o facto de insistirmos em falar de nºs em USD enquanto que na prática a maior parte das transacções moçambicanas é feita em ZAR – Rand, o que quer dizer que na pior das hipótese a informação devia vir traduzida também ou apenas para o Rand.


Há notícias segundo as quais, nalgumas zonas fronteiriças as populações não usam o Metical ou porque não chega, ou porque não tem valor de uso.

A questão que se coloca é:

Houve essa constatação e repotagem, mas depois, qual é o passo seguinte e quem vai dar? A polícia? O Banco de Moçambique?... Quem e quando?

Patrícios, vamos debater o problema da valorização do Metical e a necessidade de “desdolarizar” o País, propondo soluções concretas baseadas em experiência dos outros países amigos ou não, que tenham passado por isto.

Integração Regional na SADC - Mudar atitudes


Rumo à integração Económica Regional
Parte dos passos que imagino que devem ser dados

Mudar atitude em vários aspectos.

O comércio informal e a forma/local de colocação de produtos para a venda

Infelizmente não há relatos de um braço de ferro entre as autoridades sanitárias, a DECOM ou mesmo a Edilidade e grupos populacionais, tendo como ponto central, a proibição de venda de produtos em condições que atentam a saúde pública. Os relatos que temos estado a acompanhar estão relacionados com a ilegalidade da ocupação de passeios para o comércio informal em geral.

Estou a falar da colocação de produtos de consumo imediato ou a posterior no ar livre, prática essa que é mais gritante nos chungamoios, nas barracas, terminais e paragens de transportes interurbanos e vias públicas.
Nestes locais é normal encontrar pessoas a vender refeições, pão em caixas descobertos, pasteis africanos entre outros produtos, sem protecção mínima, digamos, ao ar livre.

Regra geral, este grupo de vendedores não possui cartão de saúde, o que importa é vender. Facto curioso é que tem sempre clientela em dia, aquele grupo que se preocupa simplesmente em “matar a fome” para se manter em pé.

Com a integração, temos que nos preparar melhor para a colocação de tudo quanto pretendemos vender, pois é a nossa imagem que está em causa. Não queremos ser conotados como os péssimos em matérias de higiene e protecção do consumidor. Temos que mudar a nossa atitude para com o nosso pequeno negócio para manter o nosso bom nome nesta região.

Haverá espaço para todos fazerem os pequenos negócios, mas pensemos no consumidor independentemente de ser nacional ou não.

Com a integração os moçambicanos vão entrar nos países da região para desenvolverem os seus pequenos negócios, mas assim como temos feito não vamos conseguir vender nada.

O que pode acontecer é, os informais de outros países integrados entrarem no nosso país com boas maneiras de colocação de produtos e tomarem conta dos pequenos negócios em detrimento dos nacionais.

A Suazilândia por exemplo tem uma experiência muito interessante em relação à forma como os produtos devem ser colocados ao consumidor, criando condições mínimas para a protecção de produtos à venda dentro de plásticos, desde maçaroca até à batata doce, passando por pão e broa.

É muito difícil ver uma única mosca a pousar nos produtos à venda na via pública ou noutro sector do comércio informal e as autoridades travaram guerra para conseguir esta postura.

No Comércio Formal, ramo da Indústria e Comércio

Há que disciplinar a forma como os produtos são colocados não só na prateleira, como também na conservação.
Por exemplo,
Os copos para servir bebidas é sempre aconselhável que se mantenham gelados para permitir que no momento de servir a bebida ao cliente, a troca de temperaturas entre o copo e a bebida não tenha um impacto maior no produto a consumir (coisas da termodinâmica).

É importante diferenciar copos em função do tipo de bebida que vamos servir ao nosso cliente, de tal sorte que, o copo de cerveja não pode ser usado para servir vinho e/ou refresco, muito menos wisk e vice-versa.

Devemos caminhar para reciclar os produtos em conservação nos meios de refrigeração por natureza. Onde guardamos mariscos /Carnes não deve ficar refrigerantes e muito menos comida confeccionada carne. Comida do dia anterior não deve ser conservado em meios de refrigeração para servir nos dias subsequentes.

Uma casa de pastos deve ter condições mínimas de saneamento para se manter aberta, estamos a falar de casa de banho com água, luz, espelho, papel higiénico e sabonete ou equiparado.
A falta de um destes componentes pode dar direito à multa. Regra geral, parte dos proprietários destas casas não são rigorosos para verificação destas condições, chegando mesmo a deixar as casas de banho sem água e papel higiénico, mas com as salas de refeição repletas de gente. É uma questão de atitude para com o outro, seu cliente. Ninguém vai querer visitar as nossas casas nas condições descritas anteriormente, há que apostar na mudança.

Esta prática deve ser rigorosamente observada pelos agentes de comércio e, mesmo sabido que não existe capacidade de fiscalização, tem que ser sim, uma questão de atitude

Outras atitudes que devem ser melhoradas,

A polícia de trânsito e outros agentes de segurança rodoviária devem caminhar para inverter o cenário na opção para interpelar viaturas, tendo como alvo preferencial, aquelas que ostentam matrícula estrangeira.

Com a integração viaturas moçambicanas vão desdobrar-se em estradas dos países da região e o mesmo vai acontecer cá entre nós. Fiscalizar é bom, mas quando de 2 em 2 kms se é fiscalizado, então acaba sendo transtornaste.

Há que estar atentos às transgressões do código de estrada, como por exemplo, pisar linha contínua, excesso de velocidade, pisar passadeiras de peões nos cruzamentos com sinalização luminosa entre outras.


Por último,
Cada negociante quando passar de um país integrado, deve se preocupar em colher mais uma experiência a ser implementada cá entre nós, na sua área de negócio.

Temos que tornar o país competitivo, atractivo e, se possível, cartão de visitas de toda a SADC em termos de atitude correcta nos pequenos negócios.

quinta-feira, 20 de março de 2008

O Saber pedir desculpas!

Vem isto a propósito da recente tragédia havida em Maputo, o luto que os artefactos (como são chamados os monstros mortíferos que semeiaram luto em muitas famílias).
Ninguém duvida da solidadriedade que os moçambicanos prestaram às vítimas, dentro daquilo que são as suas capacidades e responsabilidades na sociedade moçambicana. O próprio Governo, pela 1ª vez demostrou de forma ímpar, muita sensibilidade para com o sofrimento da pessoa humana, tendo chegado ao ponto de criar um gabinete específico para reconstrução das casas das vítimas, embora muitos são de opinião de que, no lugar de apoiar as vítimas nos moldes propostos, devia indemnizar as famílias afectadas. Pessoalmente acho que como 1º passo, a atutude do governo é boa, pode ser que um dia caminhemos para atingirmos uma cultura de estado que indemniza as pessoas singulares e/ou colectivas, sempre que houver culpa do estado num processo desta natureza ou semelhante.

Andei traumatizado por muito tempo ao não conseguir encaixar no meu eu, uma interpretação lógica do que teria originado efectivamente as explosões.
Cheguei mesmo a pensar que a paz que nos orgulhamos tanto de ter alcançado era aparente uma vez que as armas calaram sim, os homens já não se perceguém com elas, mas afinal de contas elas ainda representam um grande perigo para as nossas vidas.

O que devia ter siso explicado

Ninguem explicou a ninguém, se estas armas calam sozinhas ou alguém lhes faz calar (duvido);
Ninguem explicou a ninguém, se estas armas daqui há quanto tempo podem voltar a fazer das suas, se bem que continuam no mesmo lugar e aparentemente nas mesmas condições;
Ninguem explicou a ninguém o quê que representa em termos percentuais no mínimo, o quê que representam os artefactos “que se evadiram do seu habitat”, dito de outra forma, o quê que representa o arsenal remanescente dos artefactos em relação aos que já explodiram?
Ninguem explicou a ninguém, para quando está prevista a transferência dos payols das das zonas habitacionais.
Em suma,
Ninguém explica a ninguém, o simples conceito de Payol bem como de artefacto;
Que tipos de Payol existem, sua finalidade, localização, tipo de artefactos, que é para a gente ficar com a dimensão real dos factos.

Mas tudo isto vem a propósto da falta de pedido de desculpas formais às famílias afectadas em particular e ao povo moçambicano em geral.
Andei atento a este drama, mas em nenhum momento me lembro ter acompanhado quem quer que fosse, a pedir desculpas formalmente em seu nome ou em nome da entidade que representa aos que directa ou indirectamente sofreram os efeitos das explosões.

Muitos queriam a cabeça do Ministro por achar que ele era o principal culpado de tudo quanto aconteceu, pois não é novo no Governo, o que significa que a ter que haver uma solução do Payol, outro homem forte daquele pelouro tinha que ser encontrado, mas se calhar ele é inocente pela complexidade histórica do próprio Payol, então, o mínimo que o Ministro devia ter feito, era pedir desculpas formalmente ao povo moçambicano em geral e às vítimas em particular.

Desculpar-se é o maior gesto que existe na humanidade para diminuir o ódio entre os homens e, qualquer um deve-o fazer sempre que as circunstâncias assim o obrigam.

Um pedido de desculpas deve ser feito no momento próprio, nunca deixar desgastar a imagem para depois, por coação o fazer.

Desculpar-se deve ser um acto voluntário, espontáneo e, sobretudo, do fundo do coração.

Mesmo o PR, em condições normais aquando da 1ª aparição pública depois da tragédia, deveria ter pedido desculpas antes de mais nada e, se possível, voltar a reeterar assim que recebeu o relatório da comissão de inquérito.

Não restam dúvidas de que o Presidente ficou comovido com a tragédia, chegando mesmo a ponto de cancelar a sua visita de estado à RSA, visita essa que até hoje não se efectivou.

Desculpem-me por este articulado, temos que tentar esquecer as mágoas, se calhar não devia ter escrito esta peça...imensas desculpas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Transportes Urbano - Nova Reflexão


Crise de Transporte nas principais Cidades Moçambicanas
Um cenário que se pode inverter.

Messias Mahumane

Pronto!
Já se falou e se escreveu o suficiente sobre o fenómeno que abalou a cidade de Maputo no passado dia 06, até desviou-se atenção de outros casos que mereciam o acompanhamento devido, como o desfecho do caso das 40 crianças idas de Nampula para um destino desconhecido. Agora é chegada a hora de reflectirmos alto sobre a problemática de transportes em Moçambique em termos de situação actual e perspectivas para o futuro.

Situação actual:

Nos tempos da economia centralizada, as empresas eram obrigadas a ter transporte para os trabalhadores, prática essa que deixou de ser obrigatória com a introdução da economia do mercado no país.

Algumas empresas, em número muito reduzido, continuam a prestar o serviço de transporte aos seus trabalhadores com vista a garantir a pontualidade e assiduidade destes.

Com a liberalização da economia, por essas alturas, o governo “lavou” as mãos para o sector de transportes urbanos, deixando que empresas vocacionadas como a famosa TPU fossem entregues à sua sorte em troca de operadores privados que começaram de carrinhas com lonas, sem rotas específicas e nem condições mínimas de segurança, estes foram se organizando em pequenas associações que lhes permitiram evoluir para uma Federação que se ocupa pela organização dos operadores e regras de transporte Rodoviário.

1ª Conclusão:
O governo passou a responsabilidade de transportes públicos para o sector privado.

Por outro lado, como o país não produz combustíveis e no mercado internacional o preço do barril vai disparando cada vez mais, os operadores privados que detém o monopólio do transporte público, aguentam com os custos da operação até onde dá, por acaso eles tem sido muito generosos, mas quando se apercebem da fragilidade do governo, em termos de falta de soluções para contrariar qualquer posição que forem a tomar em relação aos preços a praticar, ameaçam agravar a tarifa, forçando este a ter que sentar na mesa de negociações para “pedir favores” no sentido de se ponderar a decisão.
2ª Conclusão

Os transportadores privados foram deixados evoluir até ao ponto de o governo estar na posição de dependente em relação a este sector.

Quando se está na mesa das negociações, o governo humilha-se em nome da população perante os transportadores, chegando a propor soluções improvisadas sem nenhum estudo aprofundado sobre a sua viabilidade com vista a colmatar uma certa situação.
A título de exemplo, que digam os economistas (que tem estado a dormir perante esta demanda), subsidiar este sector poderá sair mais caro que reforçar a rota dos quase falidos TPM. Mas esta terá sido uma solução encontrada sob pressão do momento, na base das manifestações populares.

3ª Conclusão

O governo não deve pensar no transporte do povo só nos momentos da aflição. Há sim, que se antecipar através de reflexões constantes sobre como é que o povo se locomove.

Neste momento o problema não é só do preço que deve ser estabilizado, como também a frota dos Chapas é ínfima para aquilo que é a procura.
Muita gente se desloca a pé de casa para o serviço/escola e vice versa não porque não tem dinheiro de chapa mas porque não há oferta.
Os chapeiros não tem recursos para aquisição de novas unidades porque os seus lucros não permitem reforço de frotas, então, vão aguentando com o que tem.
Mas como não se pode oferecer dinheiro a ninguém há que encontrar um mecanismo de se financiar a organização para reforçar as suas frotas de modo a reduzir a demanda que resulta da procura.

Em todo o mundo, o privado complementa, caso tenha espaço, a função do Governo no garante do transporte público urbano, através de pequenas frotas que disputam sem sucesso os passageiros que, por razões diversas, não querem se misturar com os outros no machimbombo. Funcionam como Taxi colectivo.

4ª Conclusão :

Confiar o sistema de transporte ao sector Privado foi o grande erro que o governo cometeu aquando da introdução da economia do mercado.

2. Pespectivas »» O que fazer?
MUDAR O CENÁRIO ACTUAL.

É muito simples!
Tudo passa pelo redesenho do sistema de Transporte Público Urbano.

a. Há que criar uma Task Force inter Ministerial envolvendo, na minha opinião, três ministérios chaves: Transportes e Comunicação, Finanças, Planificação e Desenvolvimento.
b. Esta Task Force deverá trabalhar no sentido de produzir termos de referência para a contratação de uma consultoria de reconhecido mérito internacional no estudo e organização do sistema de transporte urbano- caso Moçambique.
c. Os termos de referência deve indicar de forma clara, os resultados esperados em termos das necessidades reais em transporte público urbano nas principais cidades moçambicanas, devendo indicar:

i. Os custos da operação;
ii. País fornecedor dos autocarros;
iii. País garante da assistência;
iv. Distribuição das Unidades por Frotas Urbanas;
v. Fluxo de autocarros por espaço de tempo ( Horário ideal);
vi. Tarifas a praticar para adultos, trabalhadores, estudantes;
vii. Alternativas para obtenção de recursos para a operação proposta;
1. Identificação de Financiamento(Tesouro /Linhas protocoladas no sistema financeiro Nacional/Internacional)
2. Outras.
viii. Entidade ideal responsável pela gestão dos transportes urbanos.
d. O estudo deverá ser submetido ao conselho de ministros para apreciação e aprovação.
e. O Governo deverá identificar as rubricas que poderão suportar tais custos e, se necessário, submeter uma proposta ao Parlamento que, a partir da comissão especializada procederá à análise e preparação de um projecto lei. Se calhar o país terá que inverter a situação actual em que se faz muito investimento em transporte individual dos responsáveis de áreas em detrimento do transporte da maioria.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A crise de Transportes em Maputo

O que sucedeu nas grandes cidades moçambicanas com destaque para a capital, Maputo, ao longo da 1ª semana de Fevereiro, mostra que o Governo, o sector privado e a sociedade encontrem um meio termos para estancar esta tendência de manifestação com recurso a actos de vandalismo.
Ao governo cabe também, estudar mecanismos que levem o país a inverter, a cursto prazo, o modelo de trasnporte que existe nas grandes cidades moçambicanas ou melhor;
O transporte público não deve estar sob o controle do sector privado, pois esta é uma responsabilidade do governo.
Pode haver fome, calamidades naturais ou sabe-se lá o quê, mas a locomoção das pessoas deve estar garantida.
É triste o que se vive em Maputo em particular, onde as pessoas são obrigadas a percorrer dezenas de kilometros para chegar no serviço ou em casa. Naturalmente que, depois deste longo percurso, a pessoa só chega no posto para marcar presença, não estando com auto estima suficiente para qualquer que seja o desafio, pois está cansado e pensa como é que poderá regressar à casa no fim da jornada.
Uma negociação visando a redução das tarifas é adiar o problema, pois, como se sabe, em pouco tempo os preços do crude voltam a disparar e novamente estaremos perante um fenómeno novo de manifestações.
Há sim, que encontrar uma solução definitiva para a política de transporte nas grandes cidades.
Messias Mahumane